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Ciclismo no Triathlon

Características do Treinamento do Ciclismo no Triathlon<

Prof. Homero Cachel

O treinamento do ciclismo no triathlon, deve ser visto sobre duas diferentes perspectivas. Uma relativa as provas aonde o vácuo é liberado, e outra em relação as provas aonde não é permitido o aproveitamento deste recurso (vácuo).

 

Provas com vácuo liberado

Nas provas aonde o vácuo é liberado (ITU), o treinamento para a etapa do ciclismo não difere do treinamento para a modalidade isolada, pois os mesmos requisitos técnicos e táticos do ciclismo de rua ou estrada, são necessários ao triatleta.

Existe uma tendência para que as provas dos campeonatos mundiais e as provas olímpicas do triathlon sejam realizadas em percursos seletivos, que apresentem dificuldades técnicas e onde,preferencialmente, existam subidas para que o “vácuo” seja menos determinante no resultado final da prova.

Portanto a habilidade em andar em grupo (vácuo), subir, descer, contornar curvas, aumentar e diminuir o ritmo, devem fazer parte do treinamento dos triatletas e inseridas no planejamento.

Alguns estudos realizados em diversas partes do mundo demonstram que a etapa de ciclismo influencia sobremaneira a performance da corrida, e a utilização do “vácuo”  bem como a cadência de pedaladas e o ritmo de prova (que é dependente em alguns casos do próprio atleta nas provas individuais e e outros do “pelotão” no qual se encontra o atleta, no caso das provas com vácuo, são decisivas para a performance final da prova.

O ciclismo sofre muito a influência do meio. A distancia e o traçado do percurso, sua altimetria, a velocidade e a direção do vento, a temperatura e a umidade do ar são fatores que interferem no resultado final da performance nesta etapa, bem como a tática de prova empregada pelos atletas.

O benefício do “vácuo” nos estudos sempre apresenta um resultado significativo na melhoria da performance na corrida, mas o mesmo não acontece quando se analisa a cadência de pedaladas (r.p.m), com alguns estudos apresentando resultados não significativos (Bernard et al, 2001), mas na prática, quando se busca um resultado final  mais alto possível, o que estatisticamente tem pouca significância pode ser a diferença entre o primeiro e o décimo colocado na prova.

As características individuais determinam a utilização de cadencias mais altas ou mais baixas (tipo de fibras musculares a mais importante), mas a observação do comportamento dos atletas de elite, durante as provas do circuito mundial, demonstram que os atletas que utilizam cadencias relativamente altas durante o ciclismo, conseguem na etapa de corrida performances mais competitivas. A cadência de pedaladas parece “ajustar” a cadência de passadas subsequente, num ritmo similar (90 rpm para 90 passadas/minuto), possibilitando aos atletas mais qualificados, correr os 10 Km da prova standart próximo aos 30 minutos.

Os atuais atletas da elite no triathlon mundial são um exemplo desta característica.

 

Provas sem a utilização do vácuo

Nas provas aonde não é permitido a utilização do vácuo, como nas provas de ironman e meio ironman, a etapa de ciclismo deve ser cumprida da maneira mais intensa possível, mas respeitando a capacidade individual, se mantendo numa intensidade relativamente estável. Para o treinamento visando este tipo de prova, a utilização de equipamentos que determinam o trabalho executado (watts), pode ser de grande benefício para se atingir a performance adequada. Os potenciômetros são uma ferramenta importante para o atleta de longas distâncias.

Foster et al., (1993) estudaram os efeitos de diferentes estratégias de ritmo em um contrarrelógio ciclístico de 2.000 m. Eles fizeram nove ciclistas bem treinados completar os primeiros 1.000m do contrarrelógio a um ritmo pré-determinado (muito lento, lento, ritmo constante, rápido ou muito rápido) e depois completar os outros 1.000 m o mais rápido possível. A diferença entre o pior resultado (o de início bem lento) e o melhor resultado (ritmo constante em todo o percurso) foi 4,3%, algo como a diferença entre o primeiro e o décimo primeiro colocados em uma prova olímpica de perseguição, ou entre o primeiro e o último colocado, em uma prova de corrida de média distância. Foster et al., (1993) concluíram que um ritmo constante era a melhor estratégia para eventos esportivos de média distância, e que haviam consequências negativas mesmo para pequenas variações nesta estratégia. Evidências científicas adicionais em suporte a esta hipótese vêm da observação do ciclista Chris Boardman (medalha de ouro olímpica), que durante um contrarrelógio de 80 km em um percurso com ondulações (elevação total de 400 m). Por toda a duração da prova, a qual ele venceu com 1h44min49s, Boardman sustentou um batimento cardíaco de 178 b.p.m. com um desvio de apenas 5 b.p.m. .
Embora uma estratégia de ritmo estável ou constante provavelmente resulte na melhor performance, em eventos onde o atleta tem vencer o relógio, correr diretamente contra um oponente pode requerer mudanças no ritmo, em decorrência da tática e estratégia de corrida. Frequentemente estas corridas são vencidas pelos atletas que têm melhor habilidade tática.       

Para investigar os efeitos de duas estratégias de ritmo diferentes sobre a performance em ciclismo de resistência, Palmer et al., (1997) estudaram os efeitos comparativos de duas sessões de ciclismo (uma a ritmo estável, constante e outra a ritmo estocástico, variável) sobre a performance em um contrarrelógio subsequente. Seis ciclistas altamente treinados completaram duas horas e meia de ciclismo, seguidas de um contrarrelógio de 20 km. As sessões empreendidas antes do contrarrelógio tiveram a mesma média de potência e velocidade. Durante uma sessão os ciclistas pedalaram a ritmo constante por 150 minutos. Na outra, eles variaram o ritmo dentro de um faixa de 12% acima e abaixo desta média. A seus esforços, constantes ou variáveis, seguiu-se imediatamente o contrarrelógio, durante o qual eles percorreram os 20 km no menor tempo possível. Apesar da potência média ser equivalente nas duas sessões durante 2 ½ primeiras horas de ciclismo, no contrarrelógio subsequente à sessão de ritmo constante houve uma melhora significativa no tempo para completar os 20 km. Todos os seis ciclistas foram mais rápidos em média 1'36" sob estas condições. Estes resultados de laboratório estão em linha com pesquisas anteriores.

Mattern et all(2001), compararam em 13 atletas de ciclismo, a variação da performance num contrarrelógio individual de 20 Km (simulado em laboratório com a própria bicicleta do atleta), onde os atletas elegeram seu ritmo individual para a performance (auto ajustado), repetindo o teste com os primeiros 4 minutos 15% acima do ritmo auto ajustado e em outra oportunidade 15% abaixo. Concluiu-se que o ritmo imposto no início (primeiros 4 minutos) de uma simulação de contrarrelógio individual no ciclismo, altera de forma significante o resultado final da performance, obtendo o melhor rendimento quando os atletas foram orientados a iniciar o teste num ritmo 15% inferior ao que eles mesmos elegeram como o ritmo próprio para tal (auto ajustado) e obtiveram respostas na concentração de lactato mais baixas ao final do teste, quando comparadas com as obtidas no ritmo auto ajustado ou quando iniciou-se o teste com os 4 minutos iniciais a 15% acima deste ritmo, o que no triathlon poderia beneficiar a performance final, com uma corrida mais competitiva. 

 

Vácuo x Sem Vácuo

Uma grande diferença entre condições de laboratório e de campo é que, em muitas provas, o atleta bem sucedido dita eventuais mudanças de ritmo de forma a contemplar suas próprias habilidades e explorar as fraquezas do oponente.

Estes dados são úteis na preparação dos atletas para provas onde o vácuo não é permitido, mas são de pouca utilidade nas provas com vácuo. Neste tipo de prova um início mais intenso pode ser positivo se puder colocar o atleta num grupo mais qualificado, beneficiando-se da economia de energia propiciada pelo vácuo gerado pelo “pelotão”, desenvolvendo uma velocidade média superior àquela que poderia ser mantida individualmente.

O parâmetro fisiológico que tem maior correlação com a performance no contrarrelógio individual no ciclismo é a potência (watts) que este pode sustentar no seu limiar anaeróbio (Lucia et al,2001), sendo que esta capacidade também pode predizer o sucesso nas provas sem  vácuo.           

Cientistas esportivos deveriam elaborar estudos que examinassem a performance em testes com ritmo variado como em eventos reais, aonde as ondulações do percurso e a influência do vento alteram as condições da prova. As conclusões destes estudos poderiam ser mais úteis para treinadores e atletas.

 

Prof. Homero Cachel
CREF 6227 G/PR
Mestre em Educação Física / Fisiologia da Performance
Técnico ITU
 
    • Ciclista nas décadas de 80/90 (Cicles Romeo, Santa Felicidade e Morgenau).
    • Técnico da equipe de ciclismo da Sociedade Morgenau.
    • Participação em 2 olimpíadas (Sydney e Athenas), 3 mundiais (Perth, Cancun, Funchal), várias Copa do Mundo, como técnico.
    • Sete títulos da  Elite no Triathlon (CBTri) como técnico.
    • Dezenas de títulos nacionais nas categorias de idade, como técnico.

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